A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça-feira (17/6) a Operação Cargas D’Água , com o objetivo de desarticular um grupo criminoso especializado no roubo de cargas de caminhões dos Correios e do Mercado Livre na BR-251, entre os quilômetros 202 e 365, no norte de Minas Gerais.
A operação mobilizou cerca de 40 agentes da PF , que cumpriram sete mandados de busca e apreensão e sete intimações judiciais nos municípios de Cachoeira de Pajeú (MG), Santa Cruz de Salinas (MG) e Barra do Choça (BA) .
As investigações começaram em 2024, após uma série de assaltos registrados na referida rodovia. A polícia identificou que parte das cargas roubadas era levada para um ponto estratégico na estrada que dá acesso ao vilarejo de Águas Altas , zona rural de Cachoeira de Pajeú — local que inspirou o nome da operação.
Segundo a PF, esse vilarejo funcionava como um verdadeiro centro logístico clandestino , onde os produtos eram recebidos, separados, redistribuídos e ocultados antes de serem comercializados ilegalmente.
O esquema era altamente sofisticado. Os criminosos utilizavam balaclavas, luvas, blusas de manga longa para esconder tatuagens , além de lanternas de alta potência, rádios comunicadores e até bombas incendiárias para interditar trechos da rodovia e forçar caminhoneiros a pararem.
Em uma ação flagrada em vídeo, o grupo chegou a incendiar a pista , desorientar o motorista com luzes intensas, desviar o caminhão por estradas vicinais e realizar o saque seletivo da carga , priorizando itens como smartphones e eletrônicos , o que indica conhecimento prévio do conteúdo transportado.
Chamou atenção da PF também o alto nível de organização tática e a suspeita de conivência interna . Um dos caminhoneiros que relatou ter sido vítima de roubo foi visto dias depois utilizando um dos produtos que fazia parte da carga subtraída, reforçando a hipótese de que profissionais do setor logístico estariam envolvidos no esquema .

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