O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), vem adotando uma postura semelhante com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva àquela que gerou atritos com Jair Bolsonaro (PL) durante o governo anterior. Assim como ocorreu com a indicação do ministro André Mendonça ao Supremo Tribunal Federal (STF) em 2021, Alcolumbre está segurando há meses as indicações feitas por Lula para dois tribunais superiores.
Entre as pendências, está a indicação da advogada Veronica Sterman para o Superior Tribunal Militar (STM), enviada por Lula ao Senado no dia 8 de março — o Dia Internacional da Mulher — e que até hoje não foi encaminhada para análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Outro caso é o do desembargador Carlos Brandão , indicado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) no final de maio. A nomeação também permanece paralisada nas mãos de Alcolumbre, sem previsão de início da tramitação.
De acordo com aliados, o presidente do Senado não tem objeções quanto aos nomes indicados por Lula. O problema estaria ligado a um desentendimento com o governo sobre indicações para cargos em agências reguladoras.
Alcolumbre está envolvido em um embate com o ministro Alexandre Silveira, da pasta de Minas e Energia, sobre as escolhas de membros para a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e a Agência Nacional do Petróleo (ANP). O senador chegou a exigir a demissão de Silveira diretamente de Lula.
Na tentativa de desarmar o impasse, o presidente Lula marcou uma conversa direta com Alcolumbre. O encontro está previsto para esta semana, em Brasília, e deve ser decisivo para resolver as tensões entre o Executivo e o presidente do Senado.

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