O Superior Tribunal de Justiça (STJ) marcou para 6 de agosto o julgamento do recurso apresentado pela defesa do ex-jogador Robinho , condenado na Itália a 9 anos de prisão por envolvimento em um caso de violência sexual coletiva , ocorrido em 2013. A análise dos embargos de declaração será realizada pela Corte Especial do STJ , responsável por casos de alta relevância, após o recesso do Judiciário.
Robinho está preso desde abril na Penitenciária de Tremembé (SP) , após o STJ homologar a extradição e a sentença italiana. Na ocasião, a Corte entendeu que o crime praticado no exterior deveria ser cumprido no Brasil com base na equivalência jurídica entre as legislações.
Agora, a defesa do ex-atleta argumenta que a pena imposta pela Justiça italiana não deve ser aplicada integralmente no Brasil , sob o fundamento de que haveria incompatibilidade com os princípios legais e constitucionais brasileiros.
“A decisão italiana não se harmoniza com princípios constitucionais e legais da ordem pública brasileira na fixação da pena, devendo esta ser reduzida para o patamar mínimo previsto para o crime, ou seja, 6 anos de reclusão, com possibilidade da adoção do regime semiaberto ”, afirma a defesa no recurso.
Os advogados também destacam que, na Itália , o crime de violência sexual coletiva é considerado comum e segue os mesmos critérios de progressão de regime penitenciário que outros delitos — diferente da legislação brasileira, que classifica o estupro como crime hediondo. Por isso, eles sustentam que não há justificativa para aplicar no Brasil um tratamento mais severo do que o feito na sentença original .
O caso será analisado pelos ministros mais antigos do STJ, reunidos em Corte Especial , e pode ter impacto sobre outras decisões envolvendo execução de penas estrangeiras no país.

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