Mikel Arteta tem tudo para assinar um novo vínculo que deve fazê-lo completar mais de uma década no Arsenal. Segundo o jornal “The Guardian”, a renovação deve ser até o meio de 2030, o que seriam quase 11 anos do espanhol no comando dos Gunners, pois assumiu o cargo em dezembro de 2019.
Seu vínculo anterior expiraria no meio de 2027, mas as partes já conversavam desde maio deste ano e estavam otimistas por um acerto. A confirmação vem depois de o treinador de 44 anos atingir seu ápice em Londres: o título da Premier League 2025/26, conquistado há quatro meses, colocando fim a um jejum de 22 anos sem a taça nacional.
Arteta já é o comandante mais longevo da elite do futebol inglês desde a saída de Pep Guardiola do Manchester City e manterá esse status se cumprir até o fim seu novo contrato. Isso também levanta a questão de quantas marcas o espanhol pode bater se continuar no comando do Arsenal até lá.
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É difícil para Arteta superar recordes de Wenger no Arsenal
O reinado de Arteta no Emirates Stadium parece longo, mas ele ainda não chega nem a um terço do que foi a era Arsène Wenger. O francês foi o técnico do Arsenal entre outubro de 1996 e maio de 2018, quase 22 anos no total.
Com isso, Wenger ostenta basicamente todos os recordes de longevidade no clube londrino. É obviamente o técnico com mais tempo no cargo, jogos (1235, sendo 825 só na Premier League, em que também é recordista), vitórias (716), títulos (17), conquistas da Premier League (3) e da Copa da Inglaterra (7, líder no geral também).
Além disso, tem marcas como a maior invencibilidade em casa pelo Campeonato Inglês, 32 partidas entre 2003 e 2005, e como visitante, 27 jogos (2003-2004). Nessa época, conquistou o título inglês sem nenhum revés, algo inédito desde o Preston North End em 1888/89 (há quase 140 anos).
Atualmente com 360 jogos como técnico do Arsenal, Arteta tem, no mínimo, mais 42 duelos entre o restante da PL, Champions League, Copa da Liga Inglesa e Copa da Inglaterra nesta temporada.
Se considerar que vai fazer pelo menos 48 partidas nas outras três temporadas (2027/28, 2028/29 e 2029/30, considerando a disputa da primeira divisão, da fase de liga da Champions e uma fase de cada copa), chega aos 546 jogos — o que deve ser naturalmente mais, pois imagina-se que o time vai avançar mais nas competições eliminatórias.
Não seria nem metade de Wenger, mas é o suficiente para o espanhol, nesse momento o sétimo no ranking com mais partidas na história do clube, superar os lendários Herbert Chapman, Terry Neil, Tom Whittaker, George Graham e Bertie Mee e se consolidar na segunda colocação. Também deve se consolidar na posição no quesito vitórias (já possui 220).
Arteta, porém, não seria o vice em tempo no cargo. George Allison, que ficou no cargo de 1934 a 1947 (abrangendo a Segunda Guerra Mundial), é quem vem logo atrás de Wenger. Se cumprir o vínculo até 2030, o espanhol ficaria em terceiro, com mais de uma década, à frente de Mee, que teve 10 anos no comando dos Gunners.
O atual treinador, mesmo sabendo que não alcançará Wenger em questões de longevidade, pode sonhar em bater o maior comandante da história dos Gunners no quesito títulos.
Alguns dos recordes já batidos por Arteta
- Mais vitórias em uma edição da Premier League pelo Arsenal (28 em 2023/24)
- Maior tempo na liderança do Campeonato Inglês em uma temporada (200 dias em 2025/26)
- Técnico mais jovem a conquistar o Campeonato Inglês pelo Arsenal (44 anos e 54 dias)
- Técnico mais precoce a chegar a 100 vitórias na Premier League (43 anos e 33 dias)
- 1º a levar a equipe londrina a duas semifinais seguidas da Champions League
- 2º na história da Premier League a atuar como jogador e a conquistá-la como técnico (Roberto Mancini foi o primeiro)
- 2º espanhol a ser campeão inglês como treinador após Guardiola
- 5º técnico mais rápido da história da Premier League a chegar a 150 vitórias (após 249 jogos)
Arteta pode fazer história na Premier League e na Champions
As 17 taças conquistadas por Wenger em quase 22 anos são complexas de serem superadas. Arteta, com cinco títulos, precisaria de três conquistas por temporada até 2030 para igualar, hegemonia muito difícil de atingir e difícil de projetar se seria possível.
Ao olhar competições específicas, porém, dá para imaginar que o atual técnico possa superar o histórico comandante. Em Premier Leagues, por exemplo, o francês a conquistou em três oportunidades.
O espanhol, após sua primeira, é o favorito na atual temporada e esse status tende a continuar parecido para os próximos anos com os períodos de transição nos concorrentes diretos. Se conquistar mais uma, se iguala a Chapman, Allison, Whittaker e Graham. Mais duas, a Wenger. Três, se isola como o maior vencedor nacional da história do clube.
Na Champions League, também há um caminho e até é “mais simples”: basta conquistá-la. O Arsenal jamais levou o maior título do futebol europeu. Foi vice com Wenger, em 2006, e com o próprio Arteta na temporada passada. Em 2025, havia alcançado a semifinal.
Ou seja, tem sido uma “escadinha”. Falta a orelhuda para consolidar a posição de crescimento dos Gunners e colocar Arteta ainda mais na eternidade como o primeiro a conseguir isso no norte de Londres. Ele terá a chance, pelo menos, nos próximos quatro anos, até 2030. A passagem, no entanto, pode ser renovada e o espanhol ter uma trajetória tão longa quanto Wenger. Só o futuro irá responder.

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