Uma regra que faz parte do futebol inglês há mais de quatro décadas voltou ao centro do debate. O primeiro-ministro britânico Andy Burnham defendeu uma revisão da proibição de consumir bebidas alcoólicas nas arquibancadas durante partidas e classificou como injusto o tratamento diferente dado aos torcedores.
A legislação atual nasceu em 1985, em um período marcado por graves episódios de hooliganismo. O Sporting Events (Control of Alcohol etc.) Act proíbe o consumo de álcool com visão para o campo em jogos das cinco principais divisões masculinas na Inglaterra e no País de Gales. A bebida pode ser vendida em outras áreas dos estádios, como corredores e bares, mas não pode ser levada para a arquibancada durante a partida.
Regra de 1985 volta ao centro do debate
Burnham argumenta que o futebol mudou profundamente desde a década de 1980 e questiona por que seus torcedores continuam submetidos a uma restrição que não existe da mesma maneira em esportes como rúgbi e críquete.
“Não acho justo que os torcedores de futebol sejam tratados dessa maneira. Essa legislação vem de uma época em que o futebol era muito diferente.”
O primeiro-ministro não anunciou uma alteração imediata na lei. Uma das possibilidades mencionadas é iniciar um período experimental antes de qualquer decisão definitiva.
A Football Supporters’ Association recebeu a declaração de forma positiva. Seu presidente, Tom Greatrex, considera a legislação ultrapassada e lembrou que um torcedor pode ocupar o mesmo assento de um estádio e consumir álcool durante determinados shows ou eventos de outros esportes.
A entidade defende que os clubes tenham mais liberdade para decidir, em diálogo com seus próprios torcedores, onde a venda e o consumo seriam adequados.
O futebol feminino inglês já oferece um precedente importante. WSL e WSL2 realizaram testes permitindo o consumo de álcool em determinados setores com visão para o campo, experiência citada pela associação de torcedores como argumento a favor de novas avaliações também no futebol masculino.
Polícia pede cautela, e torcedores estão divididos
Entre os próprios torcedores, porém, não existe consenso. Parte teme que permitir bebidas nas arquibancadas aumente situações como copos arremessados durante comemorações de gols ou torne mais frequente a circulação de pessoas durante os 90 minutos.
Outros consideram exagerado presumir que uma eventual liberação provocaria automaticamente problemas de comportamento. O argumento se aproxima daquele apresentado por Burnham e pela Football Supporters’ Association: torcedores de futebol não deveriam receber tratamento diferente apenas pela modalidade que acompanham.
A principal resistência institucional veio da UK Football Policing Unit. A entidade considera precipitado alterar a legislação sem uma análise detalhada dos possíveis impactos sobre segurança e policiamento e lembra que o álcool ainda aparece em uma parcela dos episódios de violência e desordem relacionados ao futebol.
Nada muda imediatamente para quem frequenta os estádios. A importância do debate está justamente no fato de uma proibição criada em 1985 ter voltado à agenda política nacional, agora com associações de torcedores defendendo testes e autoridades policiais pedindo cautela. Depois de 41 anos, a discussão sobre cerveja na arquibancada deixou de ser apenas um tema entre torcedores e voltou oficialmente ao centro do futebol inglês.

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