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Terça-feira, 03 de Novembro de 2026

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Por que o Liverpool de Iraola domina os jogos, mas não acha soluções contra blocos baixos

A derrota por 1 a 0 para o Arsenal, em Anfield, deixou uma imagem incômoda para o Liverpool de Andoni Iraola: um time que passou boa parte da partida no campo adversário, acumulou finalizações e rondou a área de David Raya, mas não conseguiu acertar sequer uma vez o gol. Foi a primeira vez desde …

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Por Eixo Rondônia
Por que o Liverpool de Iraola domina os jogos, mas não acha soluções contra blocos baixos
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Por que o Liverpool de Iraola domina os jogos, mas não acha soluções contra blocos baixos

A derrota por 1 a 0 para o Arsenal, em Anfield, deixou uma imagem incômoda para o Liverpool de Andoni Iraola: um time que passou boa parte da partida no campo adversário, acumulou finalizações e rondou a área de David Raya, mas não conseguiu acertar sequer uma vez o gol. Foi a primeira vez desde o início dos registros da Opta, em 2003/04, que os Reds terminaram um jogo da Premier League em casa sem uma finalização no alvo.

O Liverpool teve volume ofensivo, mas encontrou dificuldades para transformar esse domínio em oportunidades de qualidade. A equipe terminou com 17 finalizações, mas criou apenas uma grande chance. O Arsenal, depois de abrir o placar com Kai Havertz, conseguiu proteger a própria área e obrigou o adversário a atacar diante de uma defesa organizada.

A questão ressurge às vésperas da Champions League, na visita ao Fenerbahçe, nesta quarta-feira (4). O adversário turco vive uma campanha irregular na competição, mas pode oferecer justamente um tipo de desafio que tem incomodado o Liverpool: defender em bloco compacto e tentar explorar os espaços deixados pelo time inglês.

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Liverpool chega, mas não consegue transformar volume em perigo

Esse é um dos principais problemas do Liverpool na temporada: dificuldade para desmontar defesas posicionadas perto da própria área. Em levantamento publicado pelo jornal inglês “The Guardian”, os Reds aparecem como a equipe que mais enfrenta blocos defensivos baixos na Premier League — mais de 25% do tempo.

Para entender o problema, é importante separar duas coisas que costumam ser confundidas: dominar o território e criar chances. Uma equipe pode passar muito tempo com a bola no campo adversário, trocar passes perto da área e até acumular finalizações sem, necessariamente, ameaçar o gol com frequência.

Bradley Barcola em jogo do Liverpool em AnfieldBradley Barcola em jogo do Liverpool em Anfield. Foto: IMAGO / Propaganda Photo

É o que tem acontecido com o Liverpool. A equipe teve 52 toques na área do Arsenal, mas produziu apenas uma grande chance. A média da Premier League é de 10,3 toques na área para cada oportunidade desse tipo. O Liverpool, portanto, precisou de muito mais presença na região para gerar uma chance de alto valor.

O problema não está só em chegar ao último terço, mas no que acontece depois. Contra uma defesa baixa, o espaço nas costas da última linha praticamente desaparece. A equipe que ataca precisa, então, encontrar maneiras de deslocar os defensores, criar superioridade em determinados setores e abrir espaços para infiltrações.

Uma das respostas é movimentar a estrutura defensiva adversária. Quando o ataque circula a bola de um lado para o outro com velocidade, obriga o bloco a se deslocar. Se a troca de corredor acontece lentamente, porém, o adversário consegue acompanhar o movimento sem perder a organização. O Liverpool tem encontrado dificuldades para dar o ritmo necessário a essa circulação e, principalmente, para transformar a posse em ações verticais.

Contra o Arsenal, isso ficou evidente depois do gol de Havertz. Com a vantagem no placar, a equipe de Mikel Arteta não precisava mais assumir riscos para disputar o controle da partida. Os Gunners protegeram a região central, reduziram os espaços entre defesa e meio-campo e aceitaram que o Liverpool tivesse a bola em zonas menos perigosas.

Wirtz precisa transformar participação em decisão

É aqui que Florian Wirtz volta ao assunto. Contratado justamente pela capacidade de encontrar soluções em espaços reduzidos, o alemão tem características que podem fazer a diferença contra defesas compactas: qualidade no passe, controle orientado, capacidade de receber entre as linhas e habilidade para acelerar a jogada em poucos toques.

Florian Wirtz, meia-atacante do LiverpoolFlorian Wirtz, meia-atacante do Liverpool (Foto: Branislav Racko / IMAGO)

O problema é que sua participação ainda não tem se convertido em influência decisiva na criação de grandes oportunidades. Wirtz ainda não criou uma grande chance na Premier League nesta temporada. Embora apareça entre os jogadores que mais completam passes no último terço, sua contribuição tem sido mais ligada à circulação e à manutenção da posse do que à criação de perigo.

Isso não significa que o alemão esteja simplesmente jogando mal ou que a responsabilidade pelo problema seja individual. A criação de espaços depende de movimentos coordenados. Para receber entre as linhas, por exemplo, Wirtz precisa que os companheiros movimentem os defensores e ofereçam opções de passe. Se os atacantes permanecem presos à última linha e os jogadores de meio não ameaçam a profundidade, o espaço para o meia atuar também diminui.

O Liverpool pode ganhar com aproximações entre Wirtz e os atacantes, tabelas curtas e movimentações que tirem os zagueiros de suas posições. Em vez de depender apenas de cruzamentos ou passes laterais, a equipe precisa encontrar maneiras de colocar um jogador de frente para o gol, dentro da área ou em condições de acionar quem infiltra.

A amplitude também é importante. Laterais e pontas precisam obrigar o adversário a defender toda a largura do campo. Quando o bloco se concentra em proteger o corredor central, os espaços podem aparecer pelos lados; quando a defesa se desloca para conter os jogadores abertos, surgem oportunidades nos meio-espaços. O desafio é fazer essas movimentações acontecerem em conjunto, e não como ações isoladas.

Pressão alta pode ser outra resposta para o Liverpool

Outra possibilidade está em aproveitar melhor as recuperações de bola no campo ofensivo. A pressão alta de Iraola é uma das características do trabalho do treinador, mas o Liverpool ainda não tem convertido esse comportamento defensivo em oportunidades com a eficiência esperada.

Segundo o levantamento do jornal inglês, os Reds produziram finalizações em apenas 16,7% das recuperações de bola nos últimos 36 metros do campo. O índice fica abaixo da média da Premier League, de 18,4%, e é o sétimo pior da competição.

Andoni Iraola, técnico do Liverpool (Foto: PA Images / Icon Sport)Andoni Iraola, técnico do Liverpool (Foto: PA Images / Icon Sport)

Esse tipo de jogada pode ser valioso contra equipes que se defendem mais atrás. Um bloco baixo bem organizado é difícil de desmontar quando está completamente posicionado. Mas, se o Liverpool recupera a bola antes que o adversário consiga recompor suas linhas, encontra uma defesa desorganizada, com jogadores ainda fora de suas posições.

O desempenho europeu oferece um contraponto. O Liverpool marcou 12 gols e criou 12 grandes chances nas três primeiras partidas da Champions League, números superiores aos apresentados no campeonato inglês. Parte da diferença está no perfil dos adversários e no contexto das partidas: LASK e Villarreal ofereceram jogos mais abertos, com espaços para transições e ataques em velocidade.

O Fenerbahçe pode colocar essa questão novamente à prova. A equipe turca chega ao confronto sem vencer na fase de liga, depois de sofrer uma goleada por 6 a 0 para o Aston Villa e empatar em 2 a 2 com o Slavia Praga. Não é possível afirmar de antemão que os turcos adotarão uma postura defensiva durante toda a partida, mas a diferença de momento entre as equipes pode favorecer um cenário de maior controle territorial do Liverpool.

Para Iraola, o jogo em Istambul será uma oportunidade de testar soluções que ainda não apareceram com regularidade na Inglaterra. O Liverpool tem qualidade técnica para controlar a posse, pressionar a saída adversária e ocupar o campo de ataque. O próximo passo é fazer esse domínio produzir mais do que volume: precisa gerar infiltrações, passes decisivos e finalizações em condições melhores.

FONTE/CRÉDITOS: Guilherme Ramos
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