Andrés Iniesta sabe como é difícil separar uma grande atuação individual do sucesso de uma seleção. Em 2010, o espanhol marcou o gol que deu à Espanha seu primeiro título mundial, mas terminou “apenas” em segundo lugar na disputa pela Bola de Ouro, atrás de Lionel Messi.
Quase 16 anos depois, a história pode ganhar uma nova versão. Em entrevista ao jornal “SPORT”, o ex-meia foi questionado sobre a disputa pelo prêmio de 2026 e não escondeu sua preferência.
“Eu adoraria que fosse um jogador espanhol. Adoraria, torço por isso e, por justiça, acho que deveria ser assim”, afirmou.
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Iniesta e a ‘justiça' sobre a Bola de Ouro
A Espanha venceu a Argentina na final da Copa de 2026 e colocou novamente jogadores espanhóis entre os principais candidatos ao prêmio. Lamine Yamal e Rodri aparecem entre os nomes mais fortes da disputa, enquanto Harry Kane, Kylian Mbappé e Lionel Messi também estão entre os principais concorrentes.
A votação já foi encerrada, e a cerimônia está marcada para 26 de outubro, em Londres. Para Iniesta, porém, pouco importa qual espanhol levaria o troféu. Quando perguntado se poderia ser qualquer jogador da seleção, respondeu simplesmente: “Sim, sim”.
E há uma razão especial para o assunto mexer com o ex-jogador. A campanha de 2010 colocou Iniesta no centro da maior conquista da história do futebol espanhol. A seleção comandada por Vicente del Bosque perdeu para a Suíça na estreia, mas venceu os seis jogos seguintes, todos por 1 a 0. Na decisão, Iniesta marcou aos 116 minutos e garantiu o título mundial.
O gol transformou o meio-campista no herói da conquista. Ainda assim, quando chegou a hora de escolher o melhor jogador do mundo naquele ano, Iniesta não venceu. Messi ficou com a Bola de Ouro de 2010, em uma votação que teve também Xavi como finalistas. A escolha provocou debate justamente porque a temporada havia terminado com a Espanha campeã mundial, enquanto Messi e a Argentina haviam sido eliminados nas quartas de final pela Alemanha.
O resultado é frequentemente lembrado como uma das maiores controvérsias da história recente do prêmio. Iniesta terminou em segundo, mas teve também Wesley Sneijder, vice com os Países Baixos e campeão da Champions League com a Inter de Milão.
Yamal e Rodri lideram a nova geração espanhola
Lamine Yamal é o nome que mais ganhou força depois da Copa. Rodri apresenta outro argumento. O meio-campista, vencedor da Bola de Ouro de 2024, foi eleito o melhor jogador da Copa de 2026 e voltou a ser uma das figuras centrais da Espanha na conquista do bicampeonato mundial.
A disputa, portanto, coloca dois jogadores de características bastante diferentes como representantes da mesma geração campeã. Yamal é o talento ofensivo que produz gols, assistências e jogadas individuais. Rodri é o meio-campista que organiza a equipe e influencia o jogo de maneira menos evidente nas estatísticas.
A preferência de Iniesta por um espanhol também se conecta à maneira como ele enxerga a própria Bola de Ouro. Ao ser questionado sobre o peso de um prêmio individual, o ex-meia fez uma ressalva:
“No fim das contas é um troféu individual, mas não deixa de ser 95% coletivo”.
Agora, a seleção espanhola voltou ao topo do mundo e pode colocar novamente um de seus jogadores no topo da premiação individual. Iniesta também rejeitou qualquer tentativa de comparar sua geração com a atual. Para ele, não faz sentido dizer se a Espanha de 2026 é melhor ou pior que a de 2010.
“São momentos diferentes, somos jogadores diferentes, um futebol diferente, não dá para comparar”, afirmou.
O que não mudou, na visão do ídolo do Barcelona, é a importância de a Espanha voltar a produzir jogadores capazes de disputar os maiores prêmios do futebol. Em 2010, ele foi o símbolo do título mundial e ficou a poucos votos da Bola de Ouro. Em 2026, Yamal e Rodri carregam essa responsabilidade.

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