Na manhã desta quinta-feira (12/6), o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) , do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), deflagrou a Operação Coringa , que investiga um esquema robusto de corrupção, lavagem de dinheiro e formação de cartel envolvendo servidores da Novacap — Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil — e empresas contratadas pelo Governo do Distrito Federal (GDF) .
Um dos momentos mais impactantes da operação ocorreu durante uma busca no supermercado “O De Casa” , localizado em Brasília. Lá, os promotores encontraram cerca de R$ 1 milhão em espécie escondidos dentro de uma caixa de papelão . O estabelecimento, segundo as investigações, funcionava como fachada para lavagem de recursos ilícitos oriundos de contratos fraudados com a Novacap.
O principal alvo da operação é Francisco José da Costa , conhecido como “Chiquinho” , ex-diretor financeiro da Novacap. Mesmo sendo réu em outra ação penal decorrente da Operação Alta Conexão (deflagrada em 2022) , ele continuaria exercendo influência sobre decisões-chave na empresa estatal, especialmente no que diz respeito aos pagamentos realizados a empresas conveniadas.
As investigações revelaram que parte do dinheiro desviado era repassada à família de Chiquinho, que atuava diretamente na ocultação e movimentação dos valores. Entre os envolvidos estão suas irmãs e sua esposa, Maria Bernadete , que teriam participado ativamente do esquema de lavagem.
Além da quantia em espécie encontrada no supermercado, os promotores apontam que os valores eram também movimentados em espécie e transferidos a terceiros , dificultando o rastreamento por parte das autoridades.
A Justiça determinou, com base nas provas apresentadas pelo MPDFT, uma série de medidas cautelares:
- Afastamento definitivo de Francisco José da função pública
- Bloqueio de bens móveis e imóveis dos investigados
- Barragem de cerca de R$ 1 milhão em contas bancárias
- Apreensão de uma aeronave e uma embarcação
Apesar de já ter sido formalmente denunciado em julho de 2024, nenhuma medida havia sido adotada até então para afastar Chiquinho do cargo , o que levanta questionamentos sobre a resposta institucional às denúncias.
A Operação Coringa reforça a gravidade dos desvios na administração pública do DF e expõe uma rede de corrupção que se perpetua através de fachadas comerciais e familiares. O caso deve seguir sob apuração, com possíveis novos desdobramentos nos próximos meses.

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