Manchester City e PSG duelam nesta quarta-feira, às 16h (de Brasília), pela Champions League, vivendo a consolidação dos projetos que acostumaram torcedores dos dois clubes a serem favoritos, a cada temporada, pelo maior título europeu. Clubes bilionários, com dois governos do Oriente Médio por trás, multicampeões e que foram dois dos times do continente que mais se transformaram nos últimos 20 anos.
Esse será o nono confronto entre os dois. Hoje, é mais um duelo entre pesos-pesados, com grandes e caros elencos. Duas forças do futebol europeu frente a frente. Mas em 2008, no primeiro duelo entre ingleses e franceses, a história era bem diferente.
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Como foi o primeiro confronto entre City e PSG?
Era 2008 e os dois estavam no grupo A da Europa League — tempos que torcedores mais velhos dos dois lados do confronto precisam buscar na memória. O City teve sete mudanças na escalação, com Robinho indo para o banco de reservas, e Elano voltando ao time titular, além de Jô no ataque.
E foi justamente o meia que teve bom início, apesar de deixar a partida no intervalo após levar uma pancada. O centroavante ex-Corinthians, que tinha apenas 21 anos e não deixou saudade na Inglaterra, não teve atuação convincente e foi substituído no meio do segundo tempo para a entrada de Ched Evans.
O estádio City of Manchester tinha pouco mais de 25 mil torcedores — bem abaixo da capacidade máxima — os assentos vazios chamavam atenção mesmo sendo um duelo em competição europeia, apesar de não ser a Champions League. A partida teve poucas emoções. Duas atuações sem inspiração, com finalizações para fora em profusão.
Transformação evidente de City e PSG
As escalações dos dois times mostram como tudo mudou. Há boas peças para o contexto da época em ambos os times, mas mais do lado inglês, que já havia iniciado sua política de grandes (caras?) contratações, como Robinho sendo o grande símbolo então.
O nome de Vincent Kompany também chama atenção. Talvez a contratação de maior custo-benefício da história do City. Um zagueiro, líder e referência que acompanhou o processo de crescimento e transformação de uma equipe mediana em uma máquina de títulos.
Escalações de PSG x Manchester City:
Paris Saint-Germain: Landreau; Traore, Camara, Bourillon, Sakho; Pancrate, Makelele, Clement, Rothen; Luyindula, Kezman.
*O brasileiro Ceará estava no banco de reservas.
Manchester City: Hart; Zabaleta, Dunne, Ben-Haim, Garrido; Kompany; Vassell, Ireland, Elano, Sturridge; Jô.
Como foram na Europa League 2008/2009?
Ao fim da fase de grupos da Europa League, os Citizens terminaram em primeiro no grupo A, enquanto os Parisienses ficaram em terceiro. A segunda posição ficou com o Twente. Os três se classificaram — o formato era diferente à época. A chave ainda teria Racing Santander em quarto e o lanterna Schalke 04, ambos eliminados.
Tanto PSG como Manchester City poderiam se reencontrar, mas apenas numa eventual final, o que não aconteceu. No mata-mata, os dois tiveram campanhas interessantes, mas pararam nas quartas de final.
Os franceses bateram o Wolfsburg com facilidade (5 a 1 no agregado) e depois o Braga (em um magro 1 a 0), mas caíram para o Dínamo de Kiev nas quartas (um 0 a 0 na França e um acachapante 3 a 0 na Ucrânia).
Já os ingleses superaram o Copenhague em um difícil 4 a 3 no agregado, derrotaram o Aab, da Dinamarca, nos pênaltis após uma vitória de 2 a 0 para cada lado (Elano converteu sua cobrança) e depois foram eliminados pelo Hamburgo (4 a 3 no agregado), de Paolo Guerrero, que foi oportunista e marcou um gol importante em Manchester.
Já na esfera nacional, o desempenho de City e PSG também foi um sinal do patamar em que ambos se encontravam. Os Citizens ficaram apenas na 10ª posição da Premier League, com 50 pontos, sendo 40 a menos que o rival e campeão United. Já os Parisienses terminaram a Ligue 1 em sexto, bem distante da briga pelo título que terminou com o Bordeaux campeão, e fora da briga por vaga em competições europeias.
City, PSG e os projetos de clubes-estado
Foi um jogo que mostra o caminho longo que percorreram com dois projetos super ambiciosos. O City foi comprado meses antes da partida pelo Abu Dhabi United Group (ADUG), fundo controlado pelo Sheikh Mansour bin Zayed Al Nahyan, membro da família real de Abu Dhabi e vice-primeiro-ministro dos Emirados Árabes Unidos.
Três anos depois foi a vez de o PSG seguir um caminho parecido. O clube da capital francesa foi adquirido pela Qatar Sports Investments (QSI), vinculado ao fundo soberano do Catar (Qatar Investment Authority). Dois casos que exemplificam a estratégia de clube-estado, controlados por fundos ligados diretamente às famílias reais e governos de monarquias do Golfo Pérsico, com objetivo de sportswashing e soft-power.
O momento agora é diferente para o City. O clube azul de Manchester foi declarado culpado no final de setembro pela Premier League de ter utilizado contratos fictícios com parceiros comerciais para disfarçar mais de 830 milhões de libras (cerca de R$ 5,7 bilhões) em financiamentos secretos, inflando artificialmente suas receitas entre 2009-10 e 2017-18. O clube nega as acusações e formalizou o recurso na última sexta-feira. Isso pode abalar completamente as estruturas do City e do futebol inglês.

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