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Segunda-feira, 02 de Novembro de 2026

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Eze e Olise: Como dois destaques do Palace seguiram caminhos tão diferentes em Arsenal e Bayern

Michael Olise e Eberechi Eze deixaram o Crystal Palace em momentos diferentes, mas carregavam algo em comum: haviam se firmado como dois dos jogadores mais talentosos dos Eagles. O francês seguiu para o Bayern de Munique em 2024, enquanto o inglês realizou o sonho de defender o Arsenal um ano depois. Desde então, as trajetórias …

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Por Eixo Rondônia
Eze e Olise: Como dois destaques do Palace seguiram caminhos tão diferentes em Arsenal e Bayern
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Eze e Olise: Como dois destaques do Palace seguiram caminhos tão diferentes em Arsenal e Bayern

Michael Olise e Eberechi Eze deixaram o Crystal Palace em momentos diferentes, mas carregavam algo em comum: haviam se firmado como dois dos jogadores mais talentosos dos Eagles. O francês seguiu para o Bayern de Munique em 2024, enquanto o inglês realizou o sonho de defender o Arsenal um ano depois.

Desde então, as trajetórias dos dois tomaram rumos distintos, mostrando como o contexto tático e o espaço dentro de uma equipe podem ser determinantes para o desenvolvimento de um jogador.

Olise transformou o potencial demonstrado na Inglaterra em protagonismo na Alemanha. Desde que chegou ao Bayern, o atacante se tornou um dos principais articuladores ofensivos do time, combinando gols, assistências e participação constante na construção das jogadas. O nono lugar na Bola de Ouro de 2026 reconheceu uma evolução que já era evidente em campo, embora uma melhor posição fosse mais justa.

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Eze, por outro lado, ainda não conseguiu reproduzir no Arsenal a influência que exercia no Palace. Contratado para acrescentar criatividade e capacidade de desequilíbrio ao setor ofensivo, o meia alterna entre atuações pelos lados do campo e oportunidades como alternativa a Martin Odegaard. A mudança de função, somada à concorrência por espaço, ajuda a explicar por que sua adaptação está longe de alcançar o mesmo sucesso do antigo companheiro.

Olise encontrou no Bayern o ambiente ideal para potencializar seu talento

Olise celebra gol pelo BayernOlise celebra gol pelo Bayern (Foto: Fotostand / IMAGO)

Os números de Michael Olise na Alemanha mostram uma progressão que vai além de uma boa fase diante do gol. Em sua primeira temporada pelo Bayern, em 2024/25, o francês marcou 20 vezes e distribuiu 20 assistências em 55 partidas. Na campanha seguinte, manteve a regularidade e elevou a produção para 21 gols e 26 passes decisivos em 52 jogos. Já no início de 2026/27, soma dez gols e cinco assistências em apenas 11 aparições.

A quantidade de participações diretas em gols chama a atenção, mas não explica sozinha a importância do atacante. Olise é um jogador capaz de assumir a responsabilidade pela conclusão de uma jogada ou de identificar o companheiro em melhores condições para finalizá-la. Seu repertório inclui passes que rompem linhas defensivas, cruzamentos precisos, combinações em espaços curtos e jogadas individuais que obrigam os adversários a deslocar a marcação.

Essa variedade faz dele um verdadeiro playmaker, mesmo atuando preferencialmente pelos lados.

Olise não precisa receber a bola em condições de finalizar para ser determinante: também pode recuar alguns metros, participar da circulação e acelerar o ataque com um passe que desorganiza a defesa. Quando encontra espaço para conduzir em direção à área, acrescenta a essa capacidade criativa uma ameaça constante de gol.

O contexto do Bayern também favorece esse repertório. Em uma equipe que frequentemente assume o controle das partidas e dispõe de atacantes capazes de atacar a área, Olise encontra alternativas para transformar sua visão de jogo em assistências. A presença de companheiros que se movimentam para receber seus passes amplia as possibilidades de combinação e impede que a marcação adversária se concentre exclusivamente em bloquear suas finalizações.

Isso não significa que o francês tenha se tornado um jogador diferente daquele que atuava no Crystal Palace. Na Inglaterra, ele já demonstrava qualidade técnica, visão de jogo e capacidade de decidir partidas. A diferença está na dimensão que essas características alcançaram em Munique.

O Bayern oferece um palco maior, mas Olise também correspondeu à exigência, evoluindo na regularidade e na capacidade de influenciar diferentes momentos dos jogos.

Eze ainda procura espaço para repetir o protagonismo no Arsenal

Eze em ação pelo ArsenalEze em ação pelo Arsenal (Foto: Ian Stephen / Every Second Media / IMAGO)

A trajetória de Eberechi Eze é mais complexa porque sua dificuldade não se resume à produção ofensiva. Na temporada 2024/25, sua última completa pelo Crystal Palace, o meia marcou 15 gols e deu 11 assistências em 43 partidas. Era um dos principais responsáveis pela criatividade da equipe, com liberdade para receber entre as linhas, conduzir a bola e aproximar-se da área. Seu desempenho justificou o interesse do Arsenal, que o contratou em 2025.

A primeira temporada nos Gunners, porém, deixou um balanço menos expressivo do que os números brutos podem sugerir. Eze marcou dez gols e distribuiu cinco assistências em 52 jogos na campanha 2025/26.

São estatísticas razoáveis para um jogador que precisou se adaptar a um novo time, mas a distribuição dos gols merece atenção: cinco deles vieram em apenas dois clássicos contra o Tottenham, ambos pela Premier League. Em um desses encontros, anotou um hat-trick; no outro, balançou a rede duas vezes.

Os dois jogos ajudaram a construir sua imagem de carrasco dos Spurs, mas também mostram por que a contagem total de gols não basta para avaliar sua temporada. Fora desses confrontos, Eze não conseguiu manter uma frequência de participações decisivas que o colocasse entre as principais referências ofensivas do Arsenal.

O problema não é desconsiderar o peso de marcar em clássicos, mas reconhecer que grandes atuações pontuais não substituem a influência constante esperada de um jogador contratado para acrescentar criatividade ao time.

A questão tática é central. No Palace, Eze atuava em um sistema com três zagueiros e dois alas, o 3-4-3, que lhe permitia ocupar regiões interiores com frequência e participar diretamente da criação. No Arsenal, sua utilização tem sido mais variável. Em algumas partidas, aparece aberto pelo lado do campo; em outras, surge como alternativa a Odegaard, que ocupa uma função central importante na organização ofensiva da equipe.

A diferença não é só de posicionamento inicial. Quando recebe mais afastado da área, Eze precisa superar o marcador em situações nas quais tem menos opções de passe por perto. Por dentro, pode aproveitar melhor a condução, a capacidade de girar sob pressão e a visão para encontrar companheiros. Ao mesmo tempo, disputar espaço com Odegaard significa competir por uma posição em que o Arsenal já possui um jogador consolidado na estrutura coletiva.

O início de 2026/27 reforça a dificuldade de conquistar continuidade. Eze soma dois gols e uma assistência em 12 partidas por todas as competições. Nas oito primeiras rodadas da Premier League, foi titular em apenas duas ocasiões, entrou durante o jogo em outras quatro e não saiu do banco nas duas restantes. Com menos minutos e funções alternadas, fica mais difícil adquirir ritmo, criar entrosamento e estabelecer uma sequência de atuações capaz de mudar sua situação.

O talento não mudou, mas o contexto fez a diferença

Olise e Eze nos tempos de Crystal PalaceOlise e Eze nos tempos de Crystal Palace (Foto: Micah Crook / PPAUK / IMAGO)

A comparação com Olise, portanto, não deve ser interpretada como uma sentença definitiva sobre a qualidade de Eze. Os dois chegaram ao novo clube em circunstâncias diferentes e encontraram exigências distintas. O francês ganhou espaço para transformar sua criatividade em uma arma central do Bayern; o inglês ainda precisa encontrar uma função em que possa participar mais da construção e receber a bola nas zonas em que rende melhor.

O talento que fez de Eze um dos destaques do Palace não desapareceu. A questão é como aproveitá-lo em um Arsenal que possui uma estrutura ofensiva diferente daquela à qual estava acostumado. Olise já encontrou essa resposta no Bayern e se tornou um dos nomes mais influentes da equipe. Eze continua procurando a sua — e, enquanto não conquistar espaço e regularidade, a distância entre as duas trajetórias tende a permanecer evidente.

FONTE/CRÉDITOS: Guilherme Calvano
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