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Terça-feira, 29 de Setembro de 2026

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‘Doping financeiro’: Personalidades da Premier League se posicionam sobre escândalo do Manchester City

A notícia de que o Manchester City foi declarado culpado de 114 das 115 acusações feitas pela Premier League no caso de supostas infrações de Fair Play Financeiro tem gerado discussões mundo afora. O clube sempre negou as acusações e eventuais punições ainda serão definidas, mas o veredito tem mobilizado personalidades do futebol a se …

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Por Eixo Rondônia
‘Doping financeiro’: Personalidades da Premier League se posicionam sobre escândalo do Manchester City
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‘Doping financeiro’: Personalidades da Premier League se posicionam sobre escândalo do Manchester City

A notícia de que o Manchester City foi declarado culpado de 114 das 115 acusações feitas pela Premier League no caso de supostas infrações de Fair Play Financeiro tem gerado discussões mundo afora.

O clube sempre negou as acusações e eventuais punições ainda serão definidas, mas o veredito tem mobilizado personalidades do futebol a se manifestarem mesmo sem o desfecho. Entre as sanções possíveis, a instituição pode ter títulos retirados e até ser excluída da liga.

Rodri, do Barcelona, se tornou o primeiro ex-jogador do City a se manifestar, seguido por Joe Hart, que era goleiro da equipe em parte do período investigado. Já Roberto Mancini foi um nome diretamente ligado à situação a dar parecer público.

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Além deles, ex-jogadores do Manchester United — Wayne Rooney, Rio Ferdinand, David De Gea –, o ex-técnico de Tottenham e Chelsea, Mauricio Pochettino, e Acun Ilicali, dono do Hull City, falaram sobre o escândalo. Premier League e Manchester City também se pronunciaram oficialmente.

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Dono de clube da Premier League compara caso do Manchester City a doping

Ilicali foi um dos últimos a se manifestar sobre o veredito do Manchester City. Ele evitou atribuir qualquer transgressão pela divergência de declarações — clube se diz inocente e a Premier League aponta culpa –, mas trabalhou com um cenário hipotético ao analisar o caso no podcast “The 1904 Club”.

— Se eles não são inocentes e fizeram algo, acho que não é diferente de ter doping e (conquistar) a medalha olímpica. Isso é doping financeiro no fim das contas. Contratar quatro ou cinco jogadores de alto nível quebrando as regras. Por esse lado, não parece muito positivo — afirmou o proprietário do Hull City.

O presidente do Manchester City, Khaldoon Al Mubarak, e o atacante Erling HaalandO presidente do Manchester City, Khaldoon Al Mubarak, e o atacante Erling Haaland (Foto: IMAGO/Newscom World)

A Premier League comunicou em 2023 que o City foi acusado de supostas violações de normas financeiras entre 2009 e 2018 e o julgamento começou no ano seguinte. Uma das alegações era de que o clube teria omitido contratos com Roberto Mancini no período de 2009 a 2013.

O técnico, agora na seleção italiana, é considerado peça importante do caso por um suposto acordo paralelo como “consultor especial” do Al Jazira, equipe dos Emirados Árabes Unidos que pertence a Sheikh Mansour, dono do City.

— Não acho que o Manchester City tenha sido considerado culpado, pelo contrário. Não é um problema que me diga respeito, mas também não é novidade. O Manchester City não é culpado e o contrato duplo não é problema meu, mas sim deles — disse o italiano em entrevista coletiva pela seleção.

Mancini comandou os Citizens na conquistas de uma Premier League (2011/12), uma FA Cup (2010/11) e uma Supercopa da Inglaterra (2012/13). A trajetória na equipe foi de 2009 a 2013, quando foi substituído por Manuel Pellegrini.

Mancini exibe título da Premier League conquistado com o Manchester City em 2011/12 (Foto: Imago/Newscom World)Mancini exibe título da Premier League conquistado com o Manchester City em 2011/12 (Foto: Imago/Newscom World)

O italiano chegou a treinar Joe Hart neste intervalo. O goleiro ficou no City entre idas e vindas de empréstimos de 2006 a 2018 e reforçou confiança absoluta no presidente do clube, Khaldoon Al Mubarak, no caso das 115 acusações.

Al Mubarak declarou estar determinado a provar inocência da instituição e afirmou que o processo ainda é longo. “Não tenho motivos para não confiar em Khaldoon. O que ele disse é o suficiente para mim”, salientou Hart na “BBC Radio 5 Live's Monday Night Club”.

— Se o Manchester City for considerado culpado (ao final de todo o processo), o que eu não acho que vai ser, por causa do que Khaldoon disse, então haverá conversas sobre isso. Mas agora estou muito confiante, muito calmo. Estou muito orgulhoso do que conquistei e do que fiz com o Manchester City e do que conquistamos como equipe. E isso não muda — complementou.

Rodri, que vestiu a camisa dos Citizens entre 2019 e 2026, não seria afetado diretamente pela polêmica, mas já viveu um escândalo semelhante no time. Em fevereiro de 2020, a Uefa baniu o Manchester City de competições europeias por supostas irregularidades no Fair Play Financeiro e por não cooperar nas investigações. O clube conseguiu anular a decisão por meio de recurso na Corte Arbitral do Esporte (CAS) pouco depois.

— O processo judicial foi parecido, embora com acusadores diferentes. Essa é a única coisa que mudou. O clube sempre transmitiu tranquilidade, afirmando que não havia feito nada (de errado) e que seria declarado inocente. Confiávamos no clube e, mesmo após terem sido considerados culpados inicialmente, acabaram sendo declarados inocentes — afirmou ele em coletiva pela seleção espanhola.

— Então, esperamos que haja justiça, aconteça o que acontecer, mas confio na impunidade do clube. Eles (dirigentes) nos disseram (aos jogadores) para ficarmos tranquilos, pois haviam feito tudo corretamente.

Rooney e ex-estrelas do Manchester United ponderam sobre efeitos de veredito do City

Rivais do City também se pronunciaram e falaram principalmente sobre as mudanças que o veredito pode gerar no futebol inglês. Se a decisão de culpabilidade se manter após eventuais recursos, o clube provavelmente seria sentenciado a multas.

Além disso, poderia sofrer dedução massiva de pontos retrativos (referente ao período das supostas infrações) ou futuro (na temporada vigente). No segundo caso, haveria risco de rebaixamento, mas no primeiro cenário, o time estaria sujeito a perder troféus conquistados.

Rio Ferdinand brincou com isso. “Feliz pela sétima medalha da Premier League enviada pelo correio”, escreveu ele no Instagram em uma postagem de inteligência artificial. A publicação faz menção ao título da temporada 2011/12 do Campeonato Inglês, que ficou com o City e teve o Manchester United de vice-campeão.

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Um post compartilhado por Rio Ferdinand OBE (@rioferdy5)

O goleiro De Gea foi outro a refletir sobre taças. Red Devil entre 2011 e 2023, ele questionou no X, antigo Twitter: “Então, quantos títulos da Premier League eu conquistei?”

Rooney seria outro jogador contemplado pelo virtual troféu, mas declarou que não ficaria contente em ter uma taça na galeria desta forma. “Acho que não merecemos. Não fizemos o suficiente naquela temporada para ganhar a liga”, disse o ex-jogador no podcast “Stick to United”.

— Vejo ex-companheiros de equipe dizendo ‘ganhamos outra medalha'. Estou feliz com as cinco que já ganhei. Eu gostaria de receber uma medalha por terminar em segundo lugar? Não — reforçou ele antes de opinar sobre a punição aos Citizens.

— Acho que o City vai ser rebaixado. Eu o colocaria na menor liga possível e aplicaria restrições a eles em termos de quanto dinheiro poderiam gastar nas próximas três ou quatro temporadas. Se só colocá-los na Championship, e eu acho que seria uma grande punição, eles vão voltar. Mas, se tiverem restrições, League Two (terceira divisão), o que for, pode ser difícil para eles — analisou.

Rooney quase deixou o Manchester United em 2010Rooney em ação no Manchester United (Foto: Phillip Oldham/Newscom World/IMAGO)

Já Mauricio Pochettino comandou três times da Premier League no período das supostas violações do City (Southampton, Tottenham e Chelsea) e destacou ter sido um “período de decepção” ao comentar o assunto na coletiva da seleção dos Estados Unidos.

— Qualquer que seja a punição, é impossível voltar no tempo. O dano já foi feito. Muitos clubes seguiram as regras e alguns não. (…) É uma tristeza imensa.

Posicionamento oficial de Premier League e Manchester City é divulgado

A Premier League e o Manchester City se posicionaram oficialmente sobre o caso nesta terça-feira (29), quatro dias depois que o “The Athletic” informou o veredito. A liga confirmou a apuração do jornal inglês.

Segundo a entidade, a comissão independente constatou inadequações às normas de Fair Play Financeiro entre as temporadas 2009/10 e 2017/18 e que o clube “violou significativamente os limites de gastos da Premier League e da Uefa“.

Ainda conforme a nota, a instituição “firmou contratos fictícios com diversos parceiros comerciais” e usou “acordos fictícios com outros, para inflar artificialmente as receitas do clube e reduzir seus custos”, além de “apresentar demonstrações financeiras distorcidas e ocultou a verdadeira situação de suas finanças”.

Guardiola beija taça da Premier League do Manchester CityGuardiola beija taça da Premier League do Manchester City (Foto: IMAGO/Visionhaus)

O comunicado apontou que o objetivo foi aumentar as receitas do clube ao mesmo tempo em que se reduziu mais de 900 milhões de libras (R$ 6,2 bilhões) em custos no intervalo investigado “para aparentar conformidade com as normas financeiras”.

— É uma responsabilidade fundamental da Premier League garantir que as regras, aprovadas pelos próprios clubes, sejam cumpridas para proteger a integridade da competição. É primordial que a liga permaneça competitiva e justa para todos os clubes e para os torcedores. Levamos esse papel extremamente a sério — afirmou Richard Masters, diretor-executivo da entidade.

— Este processo disciplinar, e esta decisão, são os mais significativos da história da Premier League. Há elementos do caso que ainda precisam ser decididos, incluindo, principalmente, qual sanção deve ser aplicada a essas infrações. Agora que temos a decisão da comissão, estamos empenhados em avançar rapidamente com o restante do processo, para proporcionar segurança à liga, aos nossos clubes e aos nossos torcedores — complementou.

A Premier League informou que o clube tem até sexta-feira, 2 de outubro, para recorrer da decisão da comissão independente, e o City declarou que pretende exercer o direito. Em nota, a instituição afirmou estar “desapontada e surpresa” com o estabelecido após o julgamento e que vai recorrer porque o veredito tem “erros materiais evidentes”.

— O clube é inocente de todas as acusações feitas pela Premier League e tem um conjunto abrangente de irrefutáveis evidências que apoia essa posição. O clube será implacável e, quando necessário, proativo em todos os fóruns regulatórios e legais. O processo da Premier League continua em andamento, com elementos significativos a concluir — escreveu o City.

FONTE/CRÉDITOS: Milena Tomaz
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