A CPI das Bets , criada no Senado Federal para investigar o funcionamento das plataformas ilegais de apostas on-line, chegou ao fim nesta quinta-feira (12/6) sem um relatório final aprovado. O colegiado rejeitou, em votação apertada, o relatório da relatora, senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) , que previa o indiciamento de 17 pessoas , entre elas as influenciadoras Virginia Fonseca e Deolane Bezerra , o humorista Rico Melquiades , o vencedor do A Fazenda , e diversos sócios de empresas do setor.
A decisão foi tomada após uma sessão tensa, com o placar definido por apenas um voto de diferença : quatro senadores votaram a favor da aprovação do relatório , enquanto três foram contrários — um dos presentes absteve-se da votação. Entre os pontos mais contestados estava justamente a lista de indiciamentos, considerada por alguns parlamentares como polêmica e sem respaldo jurídico suficiente .
O relatório original apresentado por Soraya na terça-feira (10/6) já previa medidas polêmicas, como a alteração da futura lei de regulamentação das apostas on-line para proibir que pessoas inscritas no CadÚnico façam bets . Além disso, propunha 20 ações legislativas e administrativas para coibir o crescimento desordenado do setor.
Mesmo com a rejeição do relatório pela CPI, Soraya afirmou que seguirá com o caso de forma individual. “Vou encaminhar o material ao Ministério Público para que seja analisada a possibilidade de responsabilização penal dos envolvidos”, destacou a senadora após a votação.
Apesar da tentativa de ampliar o alcance do relatório com a inclusão de sugestões do senador Izalci Lucas (PL-DF) — o que aumentou de 16 para 17 o número de indiciados —, o documento não obteve o apoio necessário dentro da comissão.
A CPI, que tinha prazo regimental até sábado (14/6), finda suas atividades sem nenhuma conclusão oficial. No entanto, o debate sobre a regulamentação das apostas online , o papel de influenciadores na captação de apostadores e a exploração do jogo por populações vulneráveis segue em alta no Congresso e na sociedade.
O tema tende a ganhar força novamente nas próximas semanas, especialmente com o avanço do projeto de lei que pretende trazer legalidade ao setor — algo que pode gerar ainda mais discussão política nos bastidores.

Comentários: