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Segunda-feira, 05 de Outubro de 2026

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Conte: ‘Na Premier League, estão usando bazucas, enquanto todo o resto ainda usa pistolas’

Antonio Conte não parece interessado em um retorno ao futebol apenas para preencher o currículo. Aos 57 anos, o italiano segue esperando por um projeto no mercado que faça sentido para suas ambições, e, em entrevista ao "The Athletic", admitiu que pode até assumir um trabalho no meio da temporada caso apareça uma oportunidade capaz …

Eixo Rondônia
Por Eixo Rondônia
Conte: ‘Na Premier League, estão usando bazucas, enquanto todo o resto ainda usa pistolas’
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Antonio Conte não parece interessado em um retorno ao futebol apenas para preencher o currículo. Aos 57 anos, o italiano segue esperando por um projeto no mercado que faça sentido para suas ambições, e, em entrevista ao “The Athletic”, admitiu que pode até assumir um trabalho no meio da temporada caso apareça uma oportunidade capaz de convencê-lo.

A Premier League está entre os destinos que mais o atraem. Conte conhece bem o futebol inglês desde sua passagem pelo Chelsea, onde conquistou o campeonato logo em sua primeira temporada, em 2016/17. Dez anos depois, ele vê um cenário ainda mais favorável financeiramente aos clubes do país.

“Na Inglaterra, hoje eles estão usando bazucas, enquanto em todo o resto ainda estão usando pistola”, afirmou.

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O olhar de Conte para a Premier League

Na janela de transferências do verão europeu de 2026, os clubes da Premier League gastaram 3,56 bilhões de libras, de acordo com levantamento da “Sky Sports”, superando o recorde de 3,19 bilhões de libras estabelecido no ano anterior. Foi a maior quantia já desembolsada por uma liga em uma única janela.

O mercado também teve mais negócios acima dos 100 milhões de libras. O Manchester City pagou 125 milhões de libras por Enzo Fernández, igualando o recorde britânico estabelecido pelo Liverpool na contratação de Alexander Isak no ano anterior. Foi a nona transferência para um clube da Premier League a superar os 100 milhões.

Conte, porém, faz uma ressalva importante: ter dinheiro não significa necessariamente saber utilizá-lo. “Você pode até ter o dinheiro, mas precisa gastá-lo com sabedoria”, afirmou o italiano, que associa o sucesso à capacidade de tomar boas decisões tanto quanto ao poder de investimento.

Antonio Conte, campeão da Premier League com o Chelsea em 2016/17 (Foto: Imago/Action Plus)Antonio Conte, campeão da Premier League com o Chelsea em 2016/17 (Foto: Imago/Action Plus)

O treinador não esconde a admiração pela Premier League. Mais do que a capacidade financeira dos clubes, Conte gosta da pressão que existe no futebol inglês e da obrigação de competir por grandes objetivos. Ele deixou claro que estaria disposto a assumir uma equipe durante a temporada, desde que o projeto justificasse a decisão. A ideia não o assusta porque, para Conte, trabalhar sob pressão faz parte da profissão.

Essa relação com a cobrança foi construída durante toda a carreira. O italiano conquistou títulos nacionais com Juventus, Chelsea e Inter, além de ter comandado a seleção italiana. Na Inglaterra, seu trabalho mais marcante aconteceu justamente em uma situação na qual havia pouca expectativa de sucesso imediato.

O Chelsea vinha de uma temporada turbulenta. Terminara apenas em 10º lugar na Premier League de 2015/16 e José Mourinho havia sido demitido em dezembro. Conte chegou ao clube naquele verão e rapidamente transformou a equipe. Depois de um começo irregular, a mudança para o sistema com três defensores alterou completamente o comportamento do time.

O Chelsea venceu 13 partidas consecutivas, assumiu a liderança e terminou a campanha com 93 pontos. Foram 30 vitórias em 38 rodadas, recorde da Premier League naquele momento.

“Foi um título da Premier League que conquistamos como azarões”, lembrou.

A temporada teve ainda um significado particular porque reuniu uma geração de grandes treinadores na Inglaterra. Conte chegou ao Chelsea no mesmo verão em que Pep Guardiola assumiu o Manchester City e José Mourinho foi contratado pelo Manchester United. Jürgen Klopp já estava no Liverpool havia quase um ano.

O italiano deixou o Chelsea após duas temporadas. Além do título inglês, conquistou a Copa da Inglaterra em 2017/18. Desde então, voltou a trabalhar na Itália e passou por Inter e Napoli, mas sua experiência inglesa continua sendo uma referência importante em sua carreira.

‘Ninguém se lembra de quem ficou em segundo‘

Conte e Guardiola na Premier LeagueConte e Guardiola na Premier League (Foto: IMAGO / Depositphotos)

A relação de Conte com a vitória ajuda a explicar por que ele ainda procura um trabalho de alta pressão. Para o italiano, o futebol é marcado por uma memória seletiva: os vencedores permanecem na história, enquanto os derrotados rapidamente são esquecidos.

Ele próprio usa a carreira como exemplo. Conte foi vice-campeão mundial com a Itália em 1994, perdendo a final para o Brasil nos pênaltis. Também perdeu a final da Eurocopa de 2000 para a França, decidida pelo gol de ouro de David Trezeguet. “Ninguém se lembra de quem ficou em segundo”, afirmou.

A lembrança serve como ponto de partida para uma filosofia que Conte mantém desde os tempos de jogador: o sucesso não aparece simplesmente porque uma equipe possui talento ou dinheiro. É necessário transformar investimento em trabalho e, depois, em resultado.

É também por isso que o treinador não parece interessado em assumir qualquer clube apenas para voltar ao mercado. Conte diz procurar equipes com história e pressão, mas que tenham espaço para recuperar uma identidade vencedora.

“Há muitos clubes que meio que perderam a história de vista. Eu gostaria de ir para um desses clubes para tirar a poeira dessa história e fazê-la brilhar mais uma vez.”

FONTE/CRÉDITOS: Guilherme Ramos
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