O Manchester City pode enfrentar uma das punições mais importantes da história recente do futebol inglês. O clube havia sido acusado de 115 violações das regras financeiras da Premier League entre 2009 e 2018 e, segundo a imprensa inglesa, teria sido considerado culpado em 114 delas.
A punição, porém, ainda não foi definida. Entre as sanções possíveis estão multa, perda de pontos e até exclusão da Premier League, embora não exista neste momento qualquer confirmação sobre qual medida será adotada ou sobre o tamanho de uma eventual dedução.
Enquanto o City aguarda uma decisão, a história do futebol oferece precedentes de punições extremamente pesadas. De crises financeiras a escândalos esportivos, alguns clubes chegaram a iniciar uma temporada praticamente condenados pela tabela.
Luton Town — 30 pontos
Poucos clubes começaram uma temporada em situação tão extrema quanto o Luton Town em 2008/09.
Depois de duas quedas consecutivas, a equipe iniciou a League Two com 30 pontos negativos. Dez foram retirados pela Federação Inglesa por irregularidades relacionadas a transferências e outros 20 pela EFL depois que o clube abandonou o processo de administração sem um acordo.
O Luton conseguiu 13 vitórias e 17 empates em 46 rodadas, mas a penalização tornou praticamente impossível escapar da última posição.
A consequência foi uma nova queda, desta vez para a National League. O clube passou cinco temporadas fora da EFL antes de iniciar uma recuperação que, anos depois, o levaria novamente à elite inglesa.
Milan, Fiorentina e Lazio — 30 pontos
Um dos casos mais famosos aconteceu na Itália com o Calciopoli, escândalo que abalou a Serie A em 2006.
A investigação encontrou evidências de pressão sobre dirigentes responsáveis pela arbitragem e envolveu clubes como Juventus, Milan, Lazio e Fiorentina.
A Juventus recebeu a punição mais pesada, com a perda do título e o rebaixamento para a Serie B. Milan, Fiorentina e Lazio, por sua vez, sofreram uma dedução de 30 pontos aplicada à classificação da temporada 2005/06.
Mesmo com a punição, o Milan terminou em segundo lugar. A Fiorentina caiu para a nona colocação, enquanto a Lazio ficou em 16º.
As consequências continuaram na temporada seguinte: Fiorentina, Milan e Lazio começaram 2006/07 com novas deduções de 15, oito e três pontos, respectivamente.
Grazer AK — 28 pontos
Na Áustria, o Grazer AK sofreu uma sequência de punições durante a temporada 2006/07 em meio a uma grave crise financeira.
O clube perdeu inicialmente seis pontos por não pagar credores. Outros dez foram retirados por violações das regras financeiras e mais 12 por problemas de licenciamento. No total, foram 28 pontos descontados.
O Grazer terminou na última posição da Bundesliga austríaca e ainda foi impedido de disputar uma liga profissional, sendo enviado diretamente para as divisões regionais.
Os problemas financeiros continuaram nos anos seguintes e levaram à liquidação do clube em 2012. Posteriormente, torcedores participaram da criação de uma nova estrutura para reconstruí-lo.
Limerick — 26 pontos
O Limerick sofreu uma dedução de 26 pontos em 2019 após entrar em um processo de proteção judicial contra credores. A penalização levou o clube ao último lugar da segunda divisão irlandesa.
Embora não houvesse rebaixamento esportivo naquela temporada, os problemas continuaram fora de campo. Com dívidas de aproximadamente 420 mil libras, o Limerick não conseguiu inicialmente uma licença para disputar a temporada de 2020.
Uma nova licença só foi concedida após a reorganização que deu origem ao Treaty United.
Dnipro — 24 pontos
Finalista da Liga Europa em 2015, o Dnipro entrou rapidamente em uma espiral financeira que também resultou em sucessivas deduções.
Na temporada 2016/17, o clube ucraniano perdeu inicialmente seis pontos por não quitar valores devidos ao ex-técnico Juande Ramos e sua comissão.
Outros seis foram retirados pelo não pagamento ao ex-jogador Danilo Sousa Campos. Depois vieram mais três pontos por descumprimento de uma decisão disciplinar e outros nove ao final da campanha. O total chegou a 24 pontos negativos.
O Dnipro terminou em 11º no campeonato ucraniano e sofreu uma punição adicional com o rebaixamento para a terceira divisão. A situação financeira não foi revertida, e o clube acabou entrando em falência em 2018.
Derby County — 21 pontos
O caso do Derby County é um dos exemplos mais recentes no futebol inglês. Na temporada 2021/22 da Championship, a equipe comandada por Wayne Rooney perdeu inicialmente 12 pontos depois de entrar em administração em setembro de 2021.
Dois meses depois, outros nove foram retirados após o clube admitir violações das regras contábeis da EFL. A punição total chegou a 21 pontos. Mesmo assim, Rooney permaneceu no clube e tentou evitar um rebaixamento que a enorme desvantagem tornou praticamente inevitável.
Dentro de campo, o Derby conseguiu 14 vitórias e 13 empates em 46 partidas. Sem a sanção, teria feito uma campanha suficiente para permanecer na Championship com relativa tranquilidade. A dedução, porém, derrubou o clube para a 23ª posição e confirmou o rebaixamento à League One.
Os precedentes mostram justamente por que é difícil usar um caso histórico para antecipar o destino do Manchester City. Luton, Derby, Dnipro ou os clubes envolvidos no Calciopoli foram punidos por infrações diferentes, sob regulamentos e autoridades distintas.
A comparação serve para outra coisa: mostrar o tamanho que uma dedução pode alcançar. No futebol europeu recente, retirar 20, 25 ou até 30 pontos já foi suficiente para transformar completamente uma temporada — e, em alguns casos, o futuro de um clube.

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