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Sexta-feira, 30 de Outubro de 2026

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‘Chegou a hora’: Neville perde a paciência e cobra saída imediata dos Glazers do United

A insatisfação com a gestão da família Glazer no Manchester United voltou ao centro do debate. Desta vez, a cobrança partiu de Gary Neville, ex-capitão dos Red Devils e um dos nomes mais identificados com a história recente do clube. Durante participação no podcast "Stick to Football", o antigo lateral-direito defendeu que os atuais proprietários …

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Por Eixo Rondônia
‘Chegou a hora’: Neville perde a paciência e cobra saída imediata dos Glazers do United
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‘Chegou a hora’: Neville perde a paciência e cobra saída imediata dos Glazers do United

A insatisfação com a gestão da família Glazer no Manchester United voltou ao centro do debate. Desta vez, a cobrança partiu de Gary Neville, ex-capitão dos Red Devils e um dos nomes mais identificados com a história recente do clube.

Durante participação no podcast “Stick to Football”, o antigo lateral-direito defendeu que os atuais proprietários majoritários deixem definitivamente a instituição, após mais de duas décadas de uma administração marcada por dívidas, desgaste com os torcedores e resultados esportivos abaixo das expectativas.

— Eles precisam vender agora, precisam vender, me desculpem, mas chegou a hora. Eles terceirizaram o departamento de futebol para a Ineos; estão passando por dificuldades há três anos e parece que este ano também será difícil — afirmou Neville.

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A crítica faz referência à estrutura de poder estabelecida em 2024, quando o empresário britânico Jim Ratcliffe, proprietário da Ineos, adquiriu uma participação minoritária no United. O acordo concedeu ao grupo responsabilidades pela condução das operações esportivas, incluindo decisões relacionadas ao futebol, mas não retirou o controle majoritário das mãos dos Glazers. A família americana, portanto, continua sendo a principal acionista do clube, enquanto Ratcliffe assumiu a responsabilidade de reorganizar diferentes setores da instituição.

Para Neville, essa divisão não resolveu o problema central. O ex-jogador considera que os proprietários precisam assumir as consequências de um longo período de dificuldades e não simplesmente transferir a responsabilidade pela gestão esportiva para outro grupo. Ele também questionou a distância dos Glazers em relação ao cotidiano dos Red Devils.

— A família Glazer está nos Estados Unidos, em Tampa. E eles são muito populares lá; pelo que ouvi, vão a todos os jogos da NFL, mas mal pisaram em Old Trafford nos últimos 20 anos — lamentou.

A comparação envolve a relação dos americanos com o Tampa Bay Buccaneers, franquia da NFL que também pertence à família. Na avaliação do ex-capitão, a presença dos proprietários em Tampa contrasta com a pouca participação deles na rotina de um clube que, apesar de sua dimensão mundial, convive há anos com problemas administrativos e esportivos.

Dívidas, estádio e uma gestão que desgastou a relação com a torcida

Torcedores do United em protesto contra a família Glazer Torcedores do United em protesto contra a família Glazer (Foto: Colorsport / IMAGO)

A principal razão histórica para a rejeição dos torcedores à família Glazer está na maneira como o controle do Manchester United foi adquirido, em 2005. Para financiar a operação, avaliada em aproximadamente 790 milhões de libras, os americanos recorreram a empréstimos e transferiram uma dívida considerável para a estrutura financeira do clube. Antes da aquisição, o United tinha cerca de 50 milhões de libras em endividamento bruto. Após a operação, esse valor chegou a 604 milhões de libras.

O impacto financeiro não ficou restrito aos primeiros anos. Um levantamento da BBC Verify, publicado em junho de 2025, calculou que aproximadamente 1,187 bilhão de libras deixou os cofres dos Red Devils entre 2005 e 2024 em pagamentos de juros, amortizações de dívidas, dividendos e taxas relacionadas à família Glazer.

A insatisfação também está relacionada à falta de investimentos estruturais. Old Trafford, inaugurado em 1910, passou por diferentes ampliações ao longo de sua história, mas enfrenta críticas pelas condições de suas instalações e pela ausência de uma modernização mais abrangente. Enquanto outros grandes clubes ingleses investiram em estádios e centros de treinamento, o United demorou a apresentar um projeto concreto de renovação de sua principal estrutura.

Atualmente, existe um plano para construir uma nova arena com capacidade estimada para 100 mil espectadores. O projeto, porém, envolve um investimento que pode ultrapassar 2 bilhões de libras e levanta dúvidas sobre como será financiado. E é essa incerteza que incomoda Neville.

— O que estou dizendo é que eles precisam vender agora, já chega. O clube está endividado, não gastaram um centavo no estádio e agora estão tentando pegar um empréstimo de 2 bilhões de libras para um estádio sem saber como vão conseguir esse empréstimo.

Os protestos contra os Glazers, por sua vez, acompanham praticamente todo o período de propriedade americana. A oposição começou ainda em 2005, quando a aquisição provocou manifestações de torcedores contrários à entrada de uma dívida no balanço de uma instituição que, até então, apresentava uma situação financeira muito mais confortável.

Ao longo dos anos, a insatisfação ganhou diferentes formas, incluindo campanhas pelo afastamento da família e manifestações nas imediações de Old Trafford. Um dos episódios mais marcantes aconteceu em maio de 2021, quando torcedores invadiram o gramado do estádio e provocaram o adiamento do clássico contra o Liverpool. A manifestação ocorreu durante a mobilização internacional contra o projeto da Superliga Europeia, mas também teve como alvo a administração dos Glazers.

Mais recentemente, em março de 2025, milhares de pessoas participaram de uma marcha organizada pelo grupo de torcedores The 1958 antes de uma partida contra o Arsenal. Entre as reivindicações estavam a saída dos proprietários, a situação financeira do clube e o aumento dos preços dos ingressos.

Resultados esportivos ampliam a pressão sobre os proprietários

Michael Carrick, técnico do Manchester United, cabisbaixo durante jogo em Old Trafford Michael Carrick, técnico do Manchester United, cabisbaixo durante jogo em Old Trafford (Foto: Phil Duncan / Every Second Media / IMAGO)

O desgaste administrativo foi acompanhado por uma trajetória esportiva bastante distante dos padrões históricos do Manchester United. Desde a saída de Sir Alex Ferguson, em 2013, o clube não voltou a conquistar a Premier League e enfrentou dificuldades para manter uma presença constante entre os principais candidatos aos títulos nacionais e europeus.

Embora tenha conquistado troféus nesse período, incluindo a Liga Europa de 2017, a Copa da Inglaterra de 2024 e a Copa da Liga Inglesa de 2023, o United acumulou campanhas decepcionantes no Campeonato Inglês. Terminou na sexta posição em 2021/22, foi terceiro colocado em 2022/23, caiu para oitavo em 2023/24 e terminou apenas em 15º lugar em 2024/25. Esta última campanha representou a pior colocação do clube na era da Premier League.

A temporada 2025/26 trouxe uma recuperação, com o terceiro lugar e o retorno à Champions League, mas não apagou os problemas acumulados. O início de 2026/27 voltou a gerar preocupação, com resultados ruins tanto no Campeonato Inglês quanto na competição continental. A instabilidade reforça o argumento de Neville sobre a dificuldade de estabelecer um projeto esportivo consistente, mesmo depois de sucessivas mudanças no comando técnico e na estrutura de futebol.

O ex-capitão também questiona a responsabilidade dos proprietários nesse processo. Para ele, não basta entregar a administração esportiva à Ineos sem que os Glazers deixem de exercer o controle sobre o clube.

FONTE/CRÉDITOS: Guilherme Calvano
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