O futuro de Endrick no Real Madrid ainda é cercado por dúvidas. Conforme apurou a Trivela, Roma e Milan conversaram na última janela de transferências sobre diferentes possibilidades para tirar o atacante de 20 anos do Santiago Bernabéu, mas encontraram uma resistência crucial do clube espanhol.
Depois de ter pouco espaço no Real Madrid, o atacante foi emprestado ao Lyon no segundo semestre da temporada passada e encontrou na França a sequência que buscava. Foram 21 partidas, oito gols e sete assistências, desempenho que ajudou a recolocá-lo no radar da Seleção e o levou à Copa do Mundo.
A reportagem da Trivela ouviu que, apesar do interesse do atacante de ficar no Real Madrid, é provável que ele mude de ideia caso siga sem muitas oportunidades. E os italianos tentaram diferentes formas de negócio na última janela.
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Roma e Milan tentaram encontrar uma saída, mas Real Madrid não quis perder Endrick
O interesse da Roma não era novidade. O clube italiano já havia procurado o Real Madrid antes do início da temporada e chegou a estudar diferentes modelos para viabilizar a operação. Surgiu a possibilidade de um empréstimo com opção de compra e uma cláusula de recompra para o clube espanhol, em um mecanismo semelhante ao utilizado pelo Real Madrid no caso de Nico Paz.
As conversas, no entanto, foram mais amplas. A Trivela ouviu que Roma e Milan chegaram a cogitar diferentes formatos de negócio, incluindo empréstimo com obrigação de compra, transferência em definitivo e operações que preservassem ao Real Madrid algum mecanismo para recuperar o jogador no futuro. A ideia de uma saída definitiva, portanto, chegou a ser discutida, mas o clube espanhol se mostrou irredutível em um ponto: não queria perder Endrick.
Gian Piero Gasperini, técnico da Roma, conversou com integrantes da comissão de Carlo Ancelotti para buscar informações sobre o atacante. O perfil de Endrick agrada ao treinador dos Giallorossi. O Real Madrid, no entanto, decidiu manter o jogador, e José Mourinho teve papel importante nessa decisão. O treinador português bancou a permanência do brasileiro.
O raciocínio do Real Madrid vai além de simplesmente acreditar no talento do atacante. Segundo fontes ouvidas pela Trivela, o clube trabalha com a ideia de manter três opções para a posição de centroavante. Foi justamente essa lógica que explica a chegada de Carlos Espí depois da saída de Gonzalo García. E se Endrick fosse negociado, o clube precisaria contratar outro jogador para preencher a vaga.
O Real Madrid entende que seria complicado encontrar no mercado, por um preço razoável, um jogador capaz de entregar aquilo que Endrick pode oferecer a médio e longo prazo. Vender o brasileiro agora significaria abrir uma vaga e, consequentemente, voltar ao mercado para tentar preenchê-la.
O Lyon mudou a percepção de Endrick e isso pode pesar em janeiro
O problema é que Endrick já sabe o que existe do outro lado dessa equação. No Lyon, ele viveu uma sequência na Europa. Chegou em janeiro, entrou rapidamente no time de Paulo Fonseca e passou a participar de maneira constante.
Por isso, a falta de minutos no início desta temporada pesa de uma maneira diferente. Endrick começou a campanha lesionado e há paciência tanto de clube quanto do jogador nesse momento. A expectativa é que, por exemplo, uma partida da Copa do Rei ou a sequência na Data Fifa de novembro possa representar isso: mais minutos, uma boa atuação, gols, e a possibilidade de começar a ganhar espaço na hierarquia ofensiva.
Até aqui, entretanto, a realidade foi outra. Depois de se recuperar da lesão, Endrick teve apenas quatro minutos em campo na temporada. A concorrência no ataque tem o quase intocável Kylian Mbappé e Carlos Espí, que surpreendeu mesmo com poucos minutos.
A perspectiva de Endrick, neste momento, é ficar no Real Madrid até o fim da temporada. Mas isso não significa que a decisão esteja tomada para qualquer cenário. Caso os minutos não apareçam até dezembro, o brasileiro pode repensar a permanência. Essa experiência no Lyon pode tornar Endrick mais suscetível a considerar uma saída caso a situação não mude.
O atacante sentiu na prática como é atuar com frequência, ter protagonismo, participar dos jogos e produzir. Depois de viver isso, ficar novamente restrito a poucos minutos pode ser mais difícil de aceitar. E há também a seleção brasileira. A importância de acumular minutos para continuar sendo considerado no ciclo da Seleção existe.
O Real Madrid, entretanto, não quer vender Endrick. Há, então, um equilíbrio delicado entre três interesses: o Real quer manter o jogador e acredita que ainda pode fazê-lo evoluir; Endrick quer vencer no clube que escolheu, mas também precisa jogar; e o mercado já mostrou que existem equipes dispostas a oferecer aquilo que falta ao brasileiro neste momento: sequência.
Neste momento, não há uma operação de saída em andamento. Há interesse, há clubes que já conversaram sobre diferentes formatos e há um Real Madrid que continua resistindo à ideia de perder o brasileiro.

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