Em depoimento prestado ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (27), o ex-diretor-geral adjunto da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Saulo Moura da Cunha, afirmou que enviou alertas sobre o risco de atos violentos a outros órgãos de inteligência do governo federal em 7 de janeiro de 2023 — um dia antes da invasão e depredação das sedes dos Três Poderes, em Brasília.
De acordo com Cunha, os avisos foram emitidos com base em informações que indicavam a possibilidade de manifestações violentas no dia seguinte, quando milhares de manifestantes tomaram a Praça dos Três Poderes, promovendo destruição no Congresso Nacional, Supremo Tribunal Federal e Palácio do Planalto.
O ex-dirigente da Abin também relatou que, no início da tarde de 8 de janeiro, recebeu uma ligação do então secretário de segurança do STF, Rogério Galloro — delegado da Polícia Federal e ex-diretor-geral da corporação. Na ligação, Galloro solicitava informações de contato com o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), órgão da Presidência da República responsável pela proteção do Palácio do Planalto, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de seus familiares.
O depoimento reforça questionamentos sobre o nível de articulação e resposta dos órgãos de segurança federais diante dos indícios de possíveis ataques às instituições. A conduta das autoridades segue sob análise do STF, no contexto das investigações sobre os atos golpistas de 8 de janeiro.

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